segunda-feira, 31 de agosto de 2009

TJMS: Ex-marido garante direito à parte do lucro da empresa conforme acordo de separação

O recurso de Apelação Cível nº 2007.027680-6, de N.S, foi julgado na
sessão do dia 27 da 5ª Turma Cível, no qual a apelante se sentiu
inconformada com a sentença que julgou procedente o pedido de seu
ex-marido.
No acordo de separação de H. S. e N.S., no ano de 1988, a empresa do
casal (S. e Cia Ltda.) foi doada aos filhos, estabelecendo usufruto às
partes na proporção da 65,5% do rendimento líquido mensal para a mãe e
33,5% para o pai, valor que deveria ser reinvestido nos filhos menores
e na manutenção da empresa.
H. S. ajuizou ação de cobrança contra sua ex-esposa com o objetivo de
receber parte do lucro da empresa, alegando que não a recebeu, desde
1998, como também não houve nenhuma justificativa para que o dinheiro
não fosse repassado. A sentença em primeira instância condenou a ré ao
pagamento do percentual de 33,5% do lucro mensal ao autor da ação,
descontando os meses já pagos.
N. S. alegou em seu recurso que seu ex-marido nunca contribui com as
despesas dos filhos e que, de fato, nada deve a ele, já que seu
ex-marido não utilizou o percentual repassado com a finalidade
estipulada no acordo de separação, ou seja, gastos com filhos e a
empresa. A apelante afirmou ainda que pleiteava não uma prestação de
contas, prevista no art. 914 do CPC, mas o cumprimento de sua
obrigação nos termos do art. 476 do Código Civil.
Segundo o voto do relator , Des. Júlio Roberto Siqueira Cardoso,
"durante aproximadamente dez anos ela repassou normalmente os valores
ao usufrutuário, deixando de fazê-lo somente a partir do ano de 1998.
Em que pese ela haver assumido as obrigações alimentares dos filhos,
referida situação não possui o condão de modificar ou extinguir o
acordo homologado em juízo, e até o presente momento plenamente
eficaz".
Sobre a reconvenção (ação proposta pela ré em face do autor,
aproveitando-se do mesmo processo), o relator observou, com base na
literatura jurídica sobre o tema, que não cabe a reconvenção na ação
de prestação de contas, em razão de sua natureza dúplice, como também
em nenhum outro feito com a finalidade de obter prestação de contas.
Complementou ainda a relatoria que "não se trata o usufruto de
contrato bilateral, e sim de direito real sobre coisa alheia, e o meio
legal a amparar a pretensão da apelante não poderá ser discutido em
sede de ação de cobrança". E ainda que "o desejo de que o
usufrutuário/apelado comprove a destinação dos valores percebidos não
tem nenhum respaldo contratual ou advindo de lei".
Por esta razão, na sessão de julgamento, por unanimidade, a 5ª Turma
Cível não conheceu do agravo retido e negou provimento ao recurso, de
acordo com o voto do relator. Desta maneira, foi mantida a sentença de
primeira instância.

Fonte: Departamento de Jornalismo / TJMS

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